.profundidade.

É preciso urgentemente chegar ao que é de fato profundo, além de sorriso de redes sociais, além de lágrimas de crocodilo, além dos títulos das reportagens. É preciso olhar além da superfície, por baixo das camadas de BB Cream e pancake, e por baixo da cobertura de glacê. É de suma importância chegar às pedras preciosas em estado bruto, por entre camadas e camadas de terra, pedregulhos e metais menos nobres. Há tesouro quando se olha fundo, em almas, olhos, pensamentos (nossos e dos outros). É preciso ultrapassar as camadas das coisas. Troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera, exosfera. É preciso passar pela crosta, atravessar o manto, para chegar ao núcleo. Na verdade, é só o núcleo que importa. Todo o resto é recorte. Todo o resto é máscara. Para que o arrepio lhe toque os sentidos é preciso que estejam intactas epiderme, derme e hipoderme. Não basta o que está por fora. É o que mora dentro que importa. Somos feitos de camadas. As coisas todas o são. E é preciso atravessá-las com cuidado, com cautela, com atenção. Ler, reler, desmitificar, compreender. Nem tudo que reluz é ouro, meu caro. Nem tudo que reluz é. Para enxergar as coisas como elas realmente são é preciso acender a luz e estar disposto a cavar.

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