.nota sobre o amor.

Fica, não fica. Beija, não beija. Casa, não casa. Trai, não trai. Volta, não volta. Perdoa, não perdoa. Dura, não dura. Investe ou não. Liga, não liga. Transa, não transa. Responde, escreve, desliga, espera. Vai, não vai. Quer, não quer. Será? E se…? Vez ou outra amar parece labirinto, com suas mil entradas possíveis e tantos becos sem saída. A única fuga possível é por tentativa e erro, linhas de raciocínio e intuição pra criar setas que indiquem veredas em que não nos falte ar. As vezes dá certo, e nem mesmo assim o fim do labirinto é ou será o que se espera. A paisagem nem sempre é exatamente como se supunha. A expectativa quase nunca corresponde a realidade. É nesse momento que se olha pra trás e tenta rever as setas e os atalhos. Que ainda estão lá, nos caminhos da memória. De olhos fechados é possível refazer o percurso, com pausas nos momentos cruciais, como num filme. Somos espectadores agora. Espectadores dos caminhos que tomamos. E por mais que a gente olhe pra trás, fica sempre a  dúvida de qual foi a pedra ou buraco que nos dispersou a atenção. No refazer imaginário da caminhada real ainda encontramos encruzilhadas que nem ao menos havíamos nos dado conta de que existiam. É parte da realidade que a gente simplesmente olhe pra frente. Sendo as escolhas certas ou erradas, a melhor coisa a fazer é mesmo tentar chegar em algum lugar. Não há muito o que fazer. Viver é, amar é, antes de tudo, não parar de caminhar. Por uma estrada que a gente não sabe bem onde é que vai dar. Um passo e depois outro, um passo e depois outro, um passo.

 

(apenas uma nota sobre amor)

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