.toda essa nossa construção pessoal ou nostalgia parte um.

Recentemente, um post (corrente de Facebook) de uma ex-aluna minha, Mylena Thais, me chamou atenção: a ideia era escrever uma lista de “conselhos” ou “sugestões” que ela daria a si mesma quando mais nova. Ela, do alto dos seus quase 17, escreveu 14 dicas que daria a si mesma com 14 anos. E pra mim, professora orgulhosa, foi incrível perceber seu amadurecimento e aprendizados nesse pequeno período de tempo.

Entre outras coisas, sua percepção das mudanças da vida, da necessidade de amar-se como se é e da importância de aproveitar cada momento da nossa existência que, segundo ela, tem de ser vivida com alegria e música, me encheram de satisfação.

Resolvi participar. Pedi um número, e ganhei o 16. Teria, então, que escrever 16 coisas que a Juliana de 32 falaria para a Juliana de 16. E tal inspiração, me ajudou a desencalhar um post que estava parado há quase um ano.

Um post em que eu divagava sobre o momento da nossa vida em que a a gente acaba decidindo, sem perceber, por qual caminho vamos. Em que a gente resolve seguir com a maioria e suas mesmas músicas, mesmas roupas e mesmos assunto, ou fugir dela. Em que momento, nós, seres humanos comuns, ouvimos músicas e filmes que acabam por formar nosso caráter, prestamos atenção àquele professor inspirador, damos atenção àquele lampejo de bom gosto musical sertanejo, matuto, descolado ou bamba dos nossos pais. Com qual idade a gente escolheu levar essa vida desse jeito ao lado desse determinado tipo de pessoa? Quando foi que decidimos seguir pela esquerda ou direita? Em qual momento passamos a pensar política, religião e futebol dessa maneira? Como? Por quê?

Eu, por exemplo, não saberia definir por data quando foi que comecei a escrever por prazer. Também não sei quando abri meu coração pra poesia. Mas sei bem que minhas principais escolhas podem ser definidas pelas influências que tive, principalmente a partir da adolescência. E daí, desde que aprendi a olhar pra fora de mim, nunca mais parei de mudar, nunca parei de aprender. E, se por um lado, é delicioso conviver com seres no começo de sua construção, por outro, a responsabilidade é enorme. Ainda mais porque eu tenho certeza de que ainda não estou pronta também.

Mas o que eu diria se pudesse mandar uma carta para mim com 16 anos?

Eu diria principalmente pra seguir em frente. E…

  1. Ouça boa música e veja bons filmes. Se bem escolhidos são excelente companhia, fonte de informação, impulso de criatividade e recheio pra bom papo.
  2. Leia os livros clássicos antes que tenha muitas outras leituras na lista de prioridades. Comece agora William Faulkner, Thomas Mann, Érico Veríssimo…
  3. Aprenda algum esporte. Tente gostar de fazer exercícios. Fica cada vez mais difícil com o passar dos anos. E é realmente muito importante cuidar do corpo também.
  4. Desenvolva hábitos de estudo em casa.
  5. Seja muito legal com seus bons professores e diga pra eles o quanto são especiais.
  6. Não desista do Inglês. Invista nisso.
  7. Conheça São Paulo o máximo que puder. Vá logo aos Centros Culturais, às bibliotecas e aos Museus da cidade.
  8. Alimente-se bem. Coma mais folhas, verduras e legumes todos os dias!
  9. Medite e/ou faça terapia assim que tiver oportunidade, sem preconceito e de coração aberto.
  10. Acupuntura é bom pra você!
  11. Nada dura pra sempre: o que é ruim vai passar e o que é bom também vai. Aprenda com um e divirta-se com o outro o quanto puder!
  12. Cada dia é precioso. Ame muito, beije muito, abrace muito, viva tudo intensamente e com verdade. Seja sincera e grata sempre, à vida e às pessoas.
  13. Não tente agradar todo mundo se isso for contra o que você acredita, pensa ou sente. Seja fiel à si mesma!
  14. Valorize os bons amigos, eles valem muito e podem ser companhia pra vida inteira. Aprenda a deixar ir quem quer ir e mantenha quem é bom e quer ficar.
  15. Ame quem você é por fora. Todos os padrões são pequenos. A beleza ta nos olhos de quem vê. Escolha bem quem você deixa te olhar e só deixe entrar no coração quem te enxerga por inteiro.
  16. Respeite o que te faz feliz. Descubra o que realmente te faz bem. Permita-se mudar o quanto for necessário para ser uma pessoa sempre melhor pra si mesma e para tudo ao redor.

http://8tracks.com/ju-marques/1990-1999-3

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