.livros de amor.

“Como eu era antes de você”, “A Culpa é das Estrelas” e a saga “Crepúsculo” têm várias coisinhas em comum. Só pra citar alguns exemplos nesse sentido: todos eles ganharam o topo de várias listas de “mais vendidos”, todos viraram filme e absolutamente todos podem ser considerados livros “de amor”.

E a verdade é que eu, viciada confessa de comédias românticas e romances dramáticos, também sou adepta da leitura de livros com essa temática. E embora não tenha lido um monte desses livros mais recentes e famosos que ganharam o coração da galera nos últimos anos, já li uma porção de romances maravilhosos que achei que valia a pena indicar aqui.

Cabe lembrar que nem todo romance é sobre amor. Romance é toda obra literária que apresenta narrativa em prosa, normalmente longa, com fatos criados ou relacionados a personagens, que vivem diferentes conflitos ou situações dramáticas,numa sequência de tempo. Tem romance pra tudo quanto é gosto: policial, de aventuras, regional, histórico, urbano,e por aí vai.

Mas hoje, a gente quer lembrar dos romances que incluem encontro, desencontro, beijo na boca e tudo mais.

A lista (oito romances e dois quadrinhos de amor):

Dom Casmurro, de Machado de Assis (1900)

Sobre: Capitu, Bentinho e Escobar

Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada.” Eu não sabia o que era obliqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. A demora da contemplação creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e sombrios, com tal expressão que…

Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me.

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, de Marçal Aquino (2012)

Sobre: Cauby e Lavínia

Prefiro descobrir aos poucos, pensei. Saborear o mistério. Na quadra seguinte, ela atravessou a rua e sumiu no meio da gente miúda que andava pelo centro. Colorida em meio ao cinzento que predominava ao redor. Olhei para o rosto no porta-retrato: tinha uma luz particular, só dela, e um ar de quem poderia ser o que quisesse na vida.

Do amor e outros demônios, de Gabriel Garcia Márquez (1994)

Sobre: Sierva Maria Todos los Ángeles e Cayetano Delaura

Era  muito simples. Delaura tinha sonhado que Sierva Maria estava sentada defronte de uma janela que dava para um campo coberto de neve, arrancando e comendo uma a uma as uvas de um cacho que tinha no colo. Cada uva arrancada tornava a brotar no cacho. No sonho era evidente que a menina estava há muitos anos defronte daquela janela infinita tentando acabar o cacho, e que não tinha pressa, por saber que na última uva estava a morte.

Memorial do Convento, de José Saramago (1982)

Sobre: Baltasar Mateus e Blimunda de Jesus

“Que sentes tu dentro de ti, Que ninguém se salva, que ninguém se perde, É pecado pensar assim, O pecado não existe, só há morte e vida, A vida está antes da morte, Enganas-te, Baltasar, a morte vem antes da vida, morreu quem fomos, nasce quem somos, por isso é que não morremos de vez, E quando vamos para debaixo da terra, e quando Francisco Marques fica esmagado sob o carro da pedra, não será isso morte sem recurso, Se estamos falando dele, nasce Francisco Marques, Mas ele não o sabe, Tal como nós não sabemos bastante quem somos, e, apesar disso, estamos vivos, Blimunda, onde foi que aprendeste essas coisas, Estive de olhos abertos na barriga da minha mãe, de lá via tudo.

Orgulho e Preconceito, de Jane Austen (19813)

Sobre: Elizabeth Benett e Fitzwilliam Darcy

Tenho a certeza de que é generosa demais para fazer pouco caso dos meus sentimentos. Se os seus são ainda os mesmos que manifestou em abril passado, diga-o imediatamente. Minha afeição permanece inalterada; basta porém uma única palavra sua para fazer com que me cale para sempre.

Travessuras da menina Má, de Mario Vargas Llosa (2006)

Sobre: Ricardo Somocurcio e Otília ou Lily

Eu era um imbecil reincidente por ainda estar apaixonado por uma doida, uma aventureira, uma mulherzinha sem escrúpulos com quem nenhum homem, e muito menos eu, poderia manter uma relação estável sem acabar sendo pisoteado. Mas nos intervalos desses solilóquios masoquistas surgiam outros, de alegria e encantamento: estaria muito mudada? Ainda tinha aquele jeitinho atrevido que tanto me atraía, ou havia sido domesticada e anulada para viver no mundo estratificado dos cavaleiros ingleses?

Um copo de cólera, de Raduan Nassar (1978)

Sobre: o casal

… e estava assim na janela, quando ela veio por trás e se enroscou de novo em mim, passando desenvolta a corda dos braços pelo meu pescoço, mas eu com jeito, usando de leve os cotovelos, amassando um pouco seus firmes seios, acabei dividindo com ela a prisão a que estava sujeito, e, lado a lado, entrelaçados, os dois passamos, aos poucos, a trançar os passos, e foi assim que fomos diretamente pro chuveiro.

Malu de Bicicleta, de Marcelo Rubens Paiva (2004)

Sobre: Luiz e Malu

A mulher quando quer tem força para arriscar, atirar-se, simulando que é frágil e insegura (…). Sei, mulheres sempre jogam com quatro lances de vantagem, pensam quilômetros à frente, sabem a altura da maré do outro mar, sabem quando o vento vai soprar.

Retalhos, de Craig Thompson (2003) – quadrinhos

Sobre: Thompson e Raina

Pílulas azuis, de Frederik Peeters (2015)

Sobre: Frederik e Cati

Um toque: Malu de Bicicleta, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábiosOrgulho e Preconceito, Um copo de cólera, Do amor e outros demônios (não vi) e Dom Casmurro (não vi) foram adaptados para o cinema.

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