.enquanto caminho.

Ontem estive do seu lado dando voltas em torno de uma praça, tomando sorvete e lembrando canções. Leve. Sem objetivo algum. Nossas passadas curtas, despretensiosas, revelaram um ritmo nosso, que se modificou a cada desencontro e a cada abraço. E, enquanto nossos pés simultaneamente iam em direção ao nada, cheguei mais perto de uma constatação que nunca me pareceu tão óbvia: não há para onde ir. Como se no decorrer da vida, todos os grandes objetivos fossem, na verdade, apenas um jeito de ocupar o tempo e que de importante mesmo só restasse a escolha de com quem caminhar e como.

Ontem, ao seu lado, como tantas vezes, caminhando, tive o entendimento de que, enquanto passa o tempo, mudamos de foco, refazemos roteiros, negligenciamos espaços e criamos pontes, muros, precipícios que nos obrigam sempre a dar um passo pra trás ou um salto que nos levará a um novo ponto de partida. A passagem do tempo nos empurra, geralmente, adiante nessas constantes caminhadas.

Até que uma lembrança de mim mesma ao seu lado anos antes trouxe à tona algo que eu precisava saber de mim: não sou mais a mesma, nem são mais as mesmas, as paisagens que almejei. Pra mim, o tempo também passou, me empurrou e transformou meu olhar. Entretanto, com quem e em qual ritmo caminhar continua sendo o que há de mais significativo em todos os meus passeios.

Sigamos.

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