.conexão.

O mundo caos mostra em tempo real quase todas as suas mazelas. A cada piscada cotidiana, uma lágrima cai em outro lugar por fome, por medo, por uma injustiça qualquer. Tem bomba, tiro e catástrofe pra todo lado. A natureza se rebela e as pessoas se ferem mutuamente. Tem jogos de poder e falta de empatia. Violências de todos os tipos. A gente assiste na tevê e lê na internet, o sofrimento alheio e, tantas vezes, o nosso próprio também. Vez por outra, compartilhamos pedidos de socorro. As vezes, um mar nos separa de quem grita, as vezes não.

A cada ano, mais de 500 pessoas morrem de malária na África. Mais de 300 refugiados e migrantes morreram no mar a cada mês neste ano. Por semana, morrem quase 24 mil pessoas no trânsito. 28800 pessoas morrem diariamente de fome no mundo enquanto 1/3 da comida é desperdiçada. Uma mulher é estuprada a cada três horas no Brasil. O suicídio é responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo. A cada 7 segundos, uma menina com menos de 15 anos casa-se, muitas vezes obrigada e com homem muito mais velho. Os números não mentem. A tragédia é latente. O sofrimento é constante. O inferno é aqui.

A gente conhece bem melhor a palavra do que a ação: indignação. E a gente escolhe o que fazer com ela toda vez que nos abala uma notícia ruim. Ora se transforma em medo, ora se transforma em fúria, ora se transforma em vazio, ora se converte em nada. Questão de sobrevivência escolher por qual caminho ir, racionalmente ou não, infelizmente. Não se muda as coisas do sofá. E sabemos: não se muda o mundo de uma vez. É devagar e sempre, começa do próprio quintal, começa dentro da gente. Mas tem que querer. Porque quando o mundo mudar, se o mundo mundo mudar, para o mundo mudar, todas as estruturas se mexerão, as nossas próprias, status quo, a vida como ela é. Nada será como antes.

A avalanche de acontecimentos ruins é resultado exato de uma enxurrada de péssimas ideias, horríveis atitudes e equivocados movimentos individuais e coletivos. Por onde caminha o mundo é por onde caminhamos nós. Para onde caminha o mundo também. É só pensar contextos e conexões: corrupção, conchavos políticos, recessão, terremoto, tsunami, desmatamento, poluição, lixo, escassez dos recursos naturais, câncer, agrotóxico, guerras, fome, migrações, desemprego, pobreza, má divisão de renda, trabalho escravo, trabalho infantil, violência, hostilidade, preconceito. Se olhar com atenção, está tudo meio ligado. Porque a gente esquece, mas estamos também nós ligados a tudo e a todos.

Para sobreviver é preciso encontrar alegria, apesar de tudo, apesar do mundo. Se não há razão verdadeira para estar aqui, se não há tentativa de ser feliz, se não há amor, não haverá também nenhuma vontade de seguir. Porque uma razão pra lutar nos faz mais fortes, mais corajosos, mais determinados a achar saídas. É preciso cercar-se bem de bons companheiros, de boas pessoas, porque juntos somos mais fortes, mais capazes de achar motivo e modos de viver apesar da mudança necessária. Há algumas grandes coisas boas acontecendo também, e muitas, muitas mini-coisas que tem como resultado esperança e possibilidade. Olhá-las com atenção. É preciso reconhecer que se a gente pode tocar ou sentir qualquer coisa boa assim, temos sorte. nem todos tem. Valorizemos. E usemos a nosso favor e a favor do que ou de quem precisa.

É difícil ver luz. Mas há.

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