.toda aula.

Me deixa explorar esse instante. O detalhe desse sorriso infantil que ainda não sabe o que a vida é. Esse caminhar duro que tenta a leveza apesar do passado. Essas tolices que se cruzam nos corredores gargalhando. O avesso. O correto e discreto que sorri pra mim. Me deixa vasculhar escombros procurando flores e escorpiões. Embaixo das mesas tão semelhantes umas às outras. Os azulejos minúsculos que descascam. O medo e o caos. Me deixa examinar essa lembrança de um tempo em que eu me parecia com eles. Essa lembrança bonita. Dolorosa, feliz. Pesquisar os livros que dizem tudo e os que não dizem. Prolixos. De capa dura. Os coloridos que enchem os olhos. Me deixa analisar a alma deste e daquele. Esse precioso momento em que tudo é simples. O bilhete escrito à mão, como deve ser. O carinho em forma de abraço, e toda essa nossa vontade de gritar. As cópias, as tentativas e o medo de errar. Me deixa, principalmente, observar as paixões. Fugazes, de um jeito perfeito. Alegres, vorazes, primeiras, aprendizes. Me deixa ver de perto o que me acelera o coração todo dia. As batidas, os gritos, a correria. Ele. Todas as estrelas desse céu estupendo. Nuvens cinzentas de chuva que pesam. Me deixa olhar com calma essa coragem que me deu de repente. Essa outra mulher que me surgiu enquanto eu subia pro segundo andar…

Colagem e ilustração de Mariana San Martin.

.o voo.

Alma se prepara pra voar. Acende tochas pra clarear o caminho da decolagem. Fogo. Queima as pontas dos dedos. E atiça as ideias. Toma impulso. Corre. Salta. Enquanto sobe, toma fôlego. Quase não sente entrar o ar. Excitação. Desejo por chegar mais alto. A boca seca. Foge o controle. Os olhos querem ficar abertos, mas fecham com a força do vento que atinge. A agonia que antecede o planar. Tudo se move. Vibra. Treme. Goza. Até o silêncio. A calmaria que preceder o pouso. Um respiro longo numa vida breve. Peito cheio. Alma leve. E volta a caminhar…

.meninas feministas.

Dia 8 de março foi o Dia da Mulher, mas todo dia é dia de a gente pensar sobre o que é possível fazer para minimizar os danos da nossa sociedade machista e começar a construir uma sociedade com mais igualdade.

Nesse post, quero dividir 3 livros incríveis para pais, professores, crianças e adolescentes. Os três são escritos e/ou organizados e ilustrados por mulheres, o que já é maravilhoso por si só.

O primeiro livro é da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, e chama-se Para educar crianças feministas.

Escrito em forma de correspondência, sua leitura é leve e rápida, mas promove uma série de boas reflexões sobre nossas ações do cotidiano. Fala do exemplo, de autoestima e de criticidade. Deveria ser leitura obrigatória para toda professora e mãe de meninas.

.leia mulheres.

Ler mulheres também é um ato político. Não só porque assim damos voz a tantas que têm boas histórias a contar e talento, mas também porque ainda somos minorias nas listas de vestibulares e na tabelinha dos clássicos.

Admito que não é tarefa fácil. Meus escritores favoritos ainda são homens (fail!) – Galeano e Saramago, e devo isso não ao fato de que nenhuma mulher escreve tão bem quanto eles, mas à triste realidade de que só comecei a priorizar a leitura de escritoras há bem pouco tempo.

E é claro que eu já tinha lido Clarice Lispector e Cecília Meireles, mas demorei anos pra me aproximar de Marina Colasanti, Adélia Prado e Ana Cristina Cesar. E ainda hoje, no alto dos 34 anos, sinto que me falta muito pra conhecer nessa lista infinita de mulheres cronistas, contistas, romanciatas, poetisas… E quero! Quero muito que o número delas, pelo menos, se iguale ao número de escritores que li, aprecio e guardo na cabeceira e na memória.

Te convido a fazer o mesmo. E pra começar, indico abaixo 9 livros que me arrebataram.

Lance de Dardos – Iracema Macedo

Poesia da melhor qualidade dessa bradileira do Rio Grande do Norte que rasga a alma ao escrever.

Anarquistas Graças a Deus – Zélia Gattai

Uma espécie de biografia da infância da autora com um olhar atento para o Brasil do começo do século XX.

Parafusos – Mania, depressão, Michelangelo e eu – Ellen Farney

Um dos melhores quadrinhos que já li na vida. Fala de maneira biográfica com verdade sobre o tema da depressão e bipolaridade sem perder o humor e a seriedade.

Flores azuis – Catola Saavedra

Romance com um enredo bem amarrado e apaixonante sobre encontros e separações. Do tipo de livro que dá vontade de ir grifando frases.

As Miniaturas – Andrea del Fuego

Um livro onde realidade e sonho se misturam, em que as personagens são tão bem construídas que sentimos vontade de abraçá-las.

Jazz – Toni Morisson

Se você é meu amigo, me peça esse livro emprestado. O meu exemplar contêm anotações riquíssimas das aulas inesqurcíveis que tive na faculdade com a professora Cielo Festino.

O livro, de autora negra – vale dizer, fala de uma Nova York dos anos 20/30 e das injustiças sofridas por mulheres negras.

Meus desacontecimentos – Eliane Brum

Crônicas dessa mulher maravilhosa que tem o poder da palavra e que o usa tão bem. Apenas leiam! Qualquer sinopse não representa metade da delícia que é esse livro.

A Maçã no Escuro – Clarice Lispector

Um livro pouco conhecido da Clarice, e um dos que mais gostei de ler. Fala sobre a fuga de um homem e nossa capacidade de refletir sobre o que somos, o que fazemos e o que queremos. Bem ao estilo Clarice Lispector pensadora.

.10 cenas de filmes.

Eu realmente acho que a escolha dos filmes da nossa vida dão um panorama bem verdadeiro de quem a gente é.

Uma amiga fez um desafio de postar 10 cenas de filmes sem dizer nada sobre elas. Resolvi postar aqui pra me servir de referência caso eu precise saber quem eu era em novembro de 2018.

Ps. Por algum motivo me perdi nas contas e postei 11 cenas. Ato falho ou necessidade?

A lista: