.meninas feministas.

Dia 8 de março foi o Dia da Mulher, mas todo dia é dia de a gente pensar sobre o que é possível fazer para minimizar os danos da nossa sociedade machista e começar a construir uma sociedade com mais igualdade.

Nesse post, quero dividir 3 livros incríveis para pais, professores, crianças e adolescentes. Os três são escritos e/ou organizados e ilustrados por mulheres, o que já é maravilhoso por si só.

O primeiro livro é da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, e chama-se Para educar crianças feministas.

Escrito em forma de correspondência, sua leitura é leve e rápida, mas promove uma série de boas reflexões sobre nossas ações do cotidiano. Fala do exemplo, de autoestima e de criticidade. Deveria ser leitura obrigatória para toda professora e mãe de meninas.

.leia mulheres.

Ler mulheres também é um ato político. Não só porque assim damos voz a tantas que têm boas histórias a contar e talento, mas também porque ainda somos minorias nas listas de vestibulares e na tabelinha dos clássicos.

Admito que não é tarefa fácil. Meus escritores favoritos ainda são homens (fail!) – Galeano e Saramago, e devo isso não ao fato de que nenhuma mulher escreve tão bem quanto eles, mas à triste realidade de que só comecei a priorizar a leitura de escritoras há bem pouco tempo.

E é claro que eu já tinha lido Clarice Lispector e Cecília Meireles, mas demorei anos pra me aproximar de Marina Colasanti, Adélia Prado e Ana Cristina Cesar. E ainda hoje, no alto dos 34 anos, sinto que me falta muito pra conhecer nessa lista infinita de mulheres cronistas, contistas, romanciatas, poetisas… E quero! Quero muito que o número delas, pelo menos, se iguale ao número de escritores que li, aprecio e guardo na cabeceira e na memória.

Te convido a fazer o mesmo. E pra começar, indico abaixo 9 livros que me arrebataram.

Lance de Dardos – Iracema Macedo

Poesia da melhor qualidade dessa bradileira do Rio Grande do Norte que rasga a alma ao escrever.

Anarquistas Graças a Deus – Zélia Gattai

Uma espécie de biografia da infância da autora com um olhar atento para o Brasil do começo do século XX.

Parafusos – Mania, depressão, Michelangelo e eu – Ellen Farney

Um dos melhores quadrinhos que já li na vida. Fala de maneira biográfica com verdade sobre o tema da depressão e bipolaridade sem perder o humor e a seriedade.

Flores azuis – Catola Saavedra

Romance com um enredo bem amarrado e apaixonante sobre encontros e separações. Do tipo de livro que dá vontade de ir grifando frases.

As Miniaturas – Andrea del Fuego

Um livro onde realidade e sonho se misturam, em que as personagens são tão bem construídas que sentimos vontade de abraçá-las.

Jazz – Toni Morisson

Se você é meu amigo, me peça esse livro emprestado. O meu exemplar contêm anotações riquíssimas das aulas inesqurcíveis que tive na faculdade com a professora Cielo Festino.

O livro, de autora negra – vale dizer, fala de uma Nova York dos anos 20/30 e das injustiças sofridas por mulheres negras.

Meus desacontecimentos – Eliane Brum

Crônicas dessa mulher maravilhosa que tem o poder da palavra e que o usa tão bem. Apenas leiam! Qualquer sinopse não representa metade da delícia que é esse livro.

A Maçã no Escuro – Clarice Lispector

Um livro pouco conhecido da Clarice, e um dos que mais gostei de ler. Fala sobre a fuga de um homem e nossa capacidade de refletir sobre o que somos, o que fazemos e o que queremos. Bem ao estilo Clarice Lispector pensadora.

.SAMPAPREV e o retrocesso.

Neste exato momento está rolando um embate entre funcionários públicos – especialmente professores – e a gestão municipal que quer votar uma reforma da previdência na cidade.

Além de estabelecer um piso salarial para a aposentadoria, existe o objetivo de aumentar a porcentagem de contribuição e a quantidade de tempo trabalhado.

Você, que não é funcionário público deve estar se perguntando: e daí?

E eu só queria pontuar algumas coisinhas:

Não posso falar por outros servidores, de outras áreas, mas como professora eu posso sim.

Uma das coisas mais tristes dessa tentativa de reforma é que tem acontecido um levante contra os serviços públicos e seus trabalhadores. Diz-se que temos regalias… e eu só posso imaginar que estão nos confundindo com outras pessoas – as que ganham montantes de 5 dígitos e auxílios diversos que cobrem facilmente o meu salário.

.todos os dias.

A vida nos desafia. Mais ainda quando a gente está desatento. Um minuto de distração, e quando paramos pra reparar, tudo mudou de novo. Porque a vida não gosta de inércia. Prefere nos pôr a sacudir. Alvoroçar a ordem das coisas e estremecer nossas estruturas pessoais.  Quanto mais a gente finge ter controle, mais a vida altera o mundo pra que a gente não se acomode. Se a gente olhar bem de perto, talvez não haja um dia sequer em que não sejamos provocados pela vida, ou do lado de dentro ou do lado de fora. Porque coisas grandes e pequenas passam por nós, e toda espécie de gente, e todo tipo de experiência e sentimento e pensamento. A vida, definitivamente, não é algo que fica a nos observar apenas, ela nos chama pra peleja, nos incita a ser melhores, e nos empurra a caminhar. Não fosse isso, não faríamos casas, nem filhos, não existiram foguetes, nem vinho, nem discos de vinil. Não fosse a vida nos afrontando, as paixões não seriam assim tão arrebatadoras, as raivas não seriam tão destruidoras e as amizades não se fariam tão necessárias. Tudo que dói é a vida nos chamando pro combate. Tudo que nos faz rir é a vida nos dizendo que valeu a pena recomeçar. E sempre valerá.

Resultado de imagem para a vida começa todos os dias

O trabalho de um professor de escola pública consiste em ensinar e cuidar de (em média) 30 crianças (as vezes muito mais e as vezes um pouco menos) por período. Crianças cheias de questões, de defasagem e de carência.

O professor tbm se formou na universidade, leu livros e tirou notas, que nunca o ensinaram como seria estar dentro de uma sala de aula, mas que deram um trabalho danado – como imagino ser a maioria dos cursos universitários.

Além disso, o professor tem que, no decorrer da carreira, aprender a se virar na resolução de conflitos, na falta de recursos físicos da escola e nos dramas mais surreais que uma sociedade cheia de violência e descaso pode trazer pra dentro da escola.

Somado a isso tudo, o professor é cobrado a ter amor pelo que faz. Mesmo tendo que, em muitos momentos, lidar com gestões injustas ou incapazes, pais completamente ausentes e alunos desinteressados.

Apesar de tudo isso, eu conheço professores maravilhosos, que dispensam um monte de tempo da sua vida fora da unidade escolar para preparar atividades bacanas, propor passeios educativos, buscar informação e ajuda pra seus alunos. Eu conheço professores ruins também, mas é como eu sempre digo: um professor bom vale por 3 ruins (que não são maioria, eu garanto).

A gente gasta tempo, dinheiro e sentimento dentro da sala de aula e, algumas vezes, fora dela tbm.

Por isso, acho tão surreal que quase todo ano, a gente tenha que brigar e tentar convencer a população e o governo de que nossas lutas por ajustes salariais e mudanças estruturais são justas e necessárias.

E sim, professor concursado até que não ganha tão mal comparado à população brasileira, mas ta longe de ganhar o que merece pelo que faz.

Só pra constar: o auxílio moradia dos juízes tem mais altos valores do que os salários de um monte de professores da rede. Eu não desmereço o trabalho deles, embora ache seu salário e benefícios abusivos. E por isso, não aceito que desmereçam o meu trabalho, e questionem o meu salário e a minha (distante) aposentadoria.