.a utopia.

Sou dada a utopias. Porque sem elas não faria nenhum sentido estar aqui, no meio desse caos, todo dia, ora contra corrente, ora sendo levada por ela. Porque conheço gente que muda o mundo um pouco todo dia, a começar por si mesmo, suas verdades e suas recusas. Entendo que a utopia é distante, mas serve como objetivo, como um olhar para o que deveria ser, mas não é (ainda). A utopia é o óbvio mal executado. Sou dada a utopias porque há gente que a entende como processo, e faz da sua vida uma luta e não apenas uma condição. Há gente que sabe pelo que brigar, e há gente que simplesmente entende o que significa ser minoria, no Brasil e em qualquer outro lugar do mundo; gente que discorda dessa balela de meritocracia; e gente que enxerga as diferenças como possibilidades. Sou dada a utopias porque há gente que está sempre um passo a frente brigando pelo que acredita, pelo que é certo pra si mesmo e pelo que é necessário para os outros. Há gente com coragem, que prioriza o ser humano. Eu sou dada a utopias porque a ordem das coisas pode ser mudada. Mesmo que demore. Não se pode lutar por nada menos do que isso: igualdade, no mínimo, e liberdade, de fato. É preciso acreditar.

“…outro mundo possível…”

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