.a força da expressão.

As vezes é preciso gritar. Externar dor, revolta e medo. Desenhar muros. Rabiscar palavras de ordem em viadutos da cidade grande. Batucar nos botecos de esquina. Vale cada cantiga, cada samba de roda, cada chorinho desafinado. É preciso gargalhar alto nas mesas de bar. Dar vazão à alegria, tentar vencer a custo do riso, toda tristeza que há. As vezes dançar, declamar poesia, encenar. Criar versos e ritmos que façam palpáveis qualquer sensação latejante. Simular no palco outras vidas, outras almas, outros sentimentos, Pra dar voz a quem silencia. Pra fazer ouvir o que o coração berra forte. Dar forma a toda matéria prima que há, e colocar nelas, mensagens secretas que só os atentos podem ler. Tocar acordes serenos, deixar que se movimentem teclas, cordas e metais. Há palavras que não podem ficar guardadas, por excesso de beleza ou intensidade de rancor. É preciso dar contorno ao que não tem. Verbalizar. Pode rinha de rap. Pode sarau de poesia. A expressão é arma poderosa. Não se deve domar por academias. Com fúria e furor, deixar fluir pinceladas. Deixar ruir os muros que aprisionam. Reconstruir com intenção. Tem mais força o que é dito do que o que se cala. É preciso apropriar-se do que é nosso: cada sensação é valiosa, cada olhar para o entorno é inestimável. Não há o que temer quando é de verdade o que se conta. Não há métrica ou regra que deva intimidar. Toda ideia nova precisa se fazer ouvir. Pra cada ser que se expressa com honestidade nasce um outro com disposição para somar. Uma palavra dita em voz alta tem a força de mil que não se fizeram ouvir.

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