.a gente não precisa de uma escola de princesas.

De pequena, a gente aprende a ser princesa. Sorrir educada, acreditar em príncipe, querer coroa. De pequena, nos querem bibelôs de estante: de beleza decorativa, feitas nos detalhes para agradar. A gente cresce almejando futuro de rainha. Carrega no modelo dama, toda formosura, gentileza e bondade que, por padrão, nos negam a vida toda. Os bons modos,  a elegância, o pudor. A submissão e o silêncio.

A gente passa a infância toda sendo elogiada pelos hábitos imperiais. A gente passa a juventude toda ouvindo conselhos medievais. E, muitas e muitas de nós, passa a vida toda vestindo a máscara da boa moça, majestade delicada. Bela Adormecida e Branca de Neve à espera do Príncipe Encantado que a salvará de bruxas mulheres madrastas más.

Todos os dias nos chamam de princesas: pai, namorado e alguns desconhecidos na rua. Há desculpa do cuidado, da delicadeza, do sexo frágil, do carinho, do cavalheirismo. Mas nos querem, de fato, amarradas em espartilhos, presas em altíssimas torres, adormecidas em câmaras de vidro prontas pra sermos beijadas.

Nos chamam “princesas”. Nos querem princesas. Nos fazem sê-lo. Quando na verdade, deveríamos, desde o primeiro choro, aprender a ser muro. Intransponíveis. Para que não nos atingisse a alma ou o corpo, nenhum olhar indelicado na rua, nenhum palavrão invasivo, nenhum comentário agressivo. Para que não nos ultrapassasse ou ultrajasse quaisquer mãos indesejadas ou tentativa hostil. Muralha a prova de invasão.

Nos criam princesas, quando o que a gente precisa pra vida é ser guerreira. Com força pra levantar espada, carregar escudos e investir socos e pontapés.

O que a gente devia aprender desde  pequenas e ouvir o resto da vida é que o mundo é dominado por quem, feito ginasta, corre mais rápido, pula obstáculos e desenvolve equilíbrio.

As princesas, moedas de troca, tesouros guardados em baús, ventres fertéis, objetos de reis e heróis de motivação e caráter duvidosos quase não têm nada a nos ensinar. Andar de salto e portar-se à mesa, talvez. Mas a cada passo que a gente dá, o que faz falta na construção de quem somos é voz, coragem e força.

Deixemos a resiliência, o medo e a fragilidade para todas as mulheres dos contos e histórias que não queremos repetir. Gritemos alto. Mal educadas. Com arma em punho. Felizes para sempre.

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