.plano de aula: 9 de março. Parte 2.

As escolas da Prefeitura de São Paulo possuem Salas de Leitura repletas de livros lindos. A da minha escola leva o nome de uma mulher: Marina Colassanti. E dentro da sala se escondem muitas outras autoras que merecem ser descobertas. Eu digo descobertas, porque ainda se estudam poucas mulheres em comparação com o monte de escritores homens que sem mantém nas provas de vestibular e nos planos de aula: Machado de Assis, Camões, Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Pedro Bandeira, João Carlos Marinho, Jorge Amado, Leminski, Drummond… Nas listas de obras para o Vestibular da Unicamp, apenas Clarice Lispector, e na FUVEST e Cásper Líbero simplesmente não apareceram autoras mulheres. Vale dizer que em outros vestibulares, apesar da quantidade muito superior de autores homens, obras de Cecília Meireles, Ana Miranda, Lya Luft, Conceição Evaristo, Adelice de Silveira Barros, Nenê Macaggi e Lygia Fagundes Telles foram pedidas.

Num post de dezembro do ano passado (2015), eu escrevi sobre .as mulheres da minha estante., que descobri serem poucas em comparação com os homens que já li e acumulei na biblioteca de casa. E daí que, em pesquisa, descobri que isso não aconteceu só com a minha história leitora, mas que as pessoas leem mesmo menos mulheres, e que escritoras mulheres são menos publicadas do que escritores homens. Isso também tem que mudar.

Parte 2. Representatividade na Literatura

Em visita à Sala de Leitura da escola, os alunos buscarão livros escritos por mulheres (grandes, pequenos, de contos, de poesia, romance, infantis, juvenis, e o que mais eles quiserem e encontrarem). Vão ler em casa (inteiro, se possível, ou trechos) para compartilhar na sexta com os outros colegas: a história, as ilustrações, um pouco da biografia e o que mais acharem de bonito e válido. (Depois compartilho aqui as descobertas deles e minhas nesse respeito).

Enquanto isso, eu recomendo alguns outros livros escritos por mulheres, e uma lista incrível, escrita por Renata Arruda, que me deixou com água na boca.

A minha lista:

Sinopse: Subverte a narrativa original, centrada em Odisseu e suas aventuras ao longo dos vinte anos em que esteve ausente de Ítaca. A esposa Penélope, personagem emblemática da fidelidade e da obediência feminina, passa a ocupar o centro da história e a reconta de seu ponto de vista. Dona de uma astúcia comparável à de Odisseu, ela se vale de inúmeros expedientes para sobreviver com dignidade enquanto o marido não retorna. Mas seus pensamentos, desejos e paixões nem sempre são os mais apropriados a uma rainha. (95 páginas)

(Fiquei curiosa por um outro livro dela que não li: O Conto de Aia).

O útero é do tamanho de um punho
Autora: Angélica Freitas (Brasil)

Sinopse: É um livro pequenininho e poderoso. Reúne 35 poemas que têm a mulher como centro temático – procurando definir que figura feminina é essa que é, segundo a autora, desenhada e desconstruída incessantemente, e questionando de um lado o mundo, de outro a própria identidade. (96 páginas)

Sinopse: Durante o início da década de 1990, a escritora inglesa Angela Carter coletou em dois volumes, para a editora Virago, contos de fadas do mundo inteiro, tendo concluído a segunda coletânea pouco antes de morrer.103 contos de fadas, baseado numa edição póstuma publicada na Inglaterra em 2005, reúne pela primeira vez todas as histórias organizadas por Carter, formando um verdadeiro e extenso painel do folclore mundial e das tradições narrativas dos mais variados povos, do Ártico à Ásia. Mas apesar do nome, há poucas fadas nessas páginas, e o leitor também terá dificuldades em encontrar príncipes encantados e similares. Escritas numa época em que esse tipo de história não era destinado a crianças, as fábulas aqui contidas dão lugar a uma série de tias malévolas, esposas traiçoeiras, irmãs excêntricas e perigosas feiticeiras.
Por terem sido registrados em papel pela primeira vez nos últimos duzentos ou trezentos anos, os contos oferecem – correndo por detrás da trama – um retrato do dia-a-dia no mundo pré-industrializado e um pouco das dinâmicas sociais e outros detalhes que com o tempo se perderam. Mais que isso, na tradição das histórias italianas reunidas por Italo Calvino, esses contos de fadas oferecem um registro precioso de algumas matrizes que posteriormente acabaram assimiladas pela literatura ocidental.

Vasto Mar de Sargaços Vasto mar de Sargaços
Autora: Jean Rhys (pseudónimo literário de Ella Gwendolen Rees Williams Roseau) (Dominica)

Sinopse: Inspirado na personagem Bertha Antoinette Mason, a ‘louca do sótão’ do clássico vitoriano Jane Eyre, de Charlotte Brontë, o romance dá voz à governanta caribenha vivendo na Inglaterra que, assim como a própria autora, sofria com as dificuldades originadas do choque entre culturas. (144 páginas)

Sinopse: Fala sobre mulheres autoras, mulheres personagens e mulheres na história para traçar um panorama de como a visão social do sexo importa, influencia e mesmo determina as possibilidades de atuação de cada um. O título do livro, Um teto todo seu, se refere às próprias condições materiais das mulheres ao longo do tempo e como isso influencia a produção literária. Pré-requisitos básicos como ter um espaço para si, um cômodo para dedicar-se à escrita, por exemplo: a falta do espaço individual e a necessidade da mulher de estar sempre entretendo ou cuidando da casa, o que sempre limitou consideravelmente mesmo a própria reflexão sobre si mesma. Recorrendo a uma personagem ficcional, Virginia Woolf percorre a literatura ao longo do tempo em busca de mulheres autoras, de pontos de vista vindos do sexo feminino, e vai até historiadores para tentar buscar uma narrativa sobre a mulher que não viesse de homens – em vão. Woolf denuncia o silêncio ao qual a mulher foi confinada durante tanto tempo – por ser tida como incapaz, inferior ou porque a natureza não teria pretendido nunca que a mulher se ocupasse de certos temas, confinando-a a outros espaços de atuação. (144 páginas)

 Quarto de Despejo
Autora: Carolina Maria de Jesus (Brasil)

Sinopse: O duro cotidiano dos favelados ganha uma dimensão universal no diário de uma catadora de lixo. Com linguagem simples, ela conta o que viveu, sem artifícios ou fantasias. (176 páginas)

(Provérbios e Antologia Pessoal são dois outros livros incríveis dela. E enquanto decidia qual livro dela postar, acabei encontrando o Onde Estaes Felicidade, que também ainda não li, mas quero muito!).

Sinopse: Pouco antes de fazer 30 anos, Ellen Forney ficou sabendo que sofria de transtorno bipolar. Incontestavelmente maníaca, mas receosa de que os medicamentos a fizessem perder sua criatividade e seu ganha-pão, Ellen deu início a uma luta — que durou anos — para encontrar equilíbrio mental sem perder a si mesma ou a sua paixão. Buscando entender o conceito popular do “artista louco”, Ellen encontrou inspiração na vida e na obra de outros artistas e escritores que sofriam de transtornos do humor, entre os quais Vincent van Gogh, Georgia O’Keeffe, William Styron e Sylvia Plath.

(Já falei desse livro aqui, em uma lista de quadrinhos maravilhosos).

 Poética
Autora: Ana Cristina César (Brasil)

Sinopse: Entre fragmentos de diário, cartas fictícias, cadernos de viagem, sumários arrojados, textos em prosa e poemas líricos, Ana Cristina fascinava e seduzia seus interlocutores, num permanente jogo de velar e desvelar. Cenas de abril, Correspondência completa, Luvas de pelica, A teus pés, Inéditos e dispersos, Antigos e soltos: livros fora de catálogo há décadas estão agora novamente disponíveis ao público leitor, enriquecidos por uma seção de poemas inéditos, um posfácio de Viviana Bosi e um farto apêndice. (504 páginas)

(Ainda não terminei de ler, porque é o tipo de livro que a gente economiza pra não acabar rápido).

Sinopse: A coleção é composta por 4 livros: A Senhora da Magia, A Grande Rainha, O Gamo-Rei e O Prisioneiro da Árvore. Este romance, a lenda do rei Artur é contada pela primeira vez através das vidas, das visões e da percepção das mulheres que nela tiveram um papel central. Pela primeira vez, o mundo arturiano de Avalon e Camelot, com todas as suas paixões e aventuras – o mundo que, através dos séculos, cada geração recriou em incontáveis obras de ficção, poesia, drama – é revelado, como se poderia esperas, pelas suas heroínas – pela rainha Guinevere, mulher de Artur; por Igraine, mãe de Artur; por Viviane, a impressionante Senhora do Lago, Grande Sacerdotisa de Avalon; e principalmente pela irmã de Artur, Morgana, também conhecida como Morgana das Fadas, como a Fada Morgana – como feiticeira, como bruxa – e que nesta épica versão da lenda desempenha um papel crucial, tanto na coroação como na destruição de Artur. Trata-se, acima de tudo, da história de um profundo conflito entre o cristianismo e a velha religião de Avalon.

(Eu já o havia recomendado aqui, em uma lista de livros para almas jovens ).

 Jazz
Autora: Toni Morisson (Estados Unidos)

Sinopse: Em 1926, o Harlem, bairro negro de Nova York, é povoado sobretudo por gente que veio do campo em busca das promessas da cidade cintilante. O cinquentão Joe Trace, vendedor itinerante de produtos de beleza, mata com um tiro sua amante adolescente. No funeral, a cabeleireira Violet, mulher de Joe, ataca o corpo da rival com uma faca. Uma tragédia pessoal que é um prenúncio dos tempos duros que virão na década seguinte. Uma apaixonada história de amor e obsessão que avança e recua no tempo, reunindo emoções, esperanças, temores e as duras realidades da vida negra nas cidades dos Estados Unidos da primeira metade do século XX.

(Eu poderia não ter recomendado de novo esse livro, mas não resisti. Ele faz parte da minha estante e mora no meu coração, graças à uma professora maravilhosa que tive – Cielo Festino. Enquanto pesquisava sobre ela, fiquei curiosa por outro livro seu:

Sinopse: O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Eis as questões que estão no cerne de Sejamos todos feministas, ensaio da premiada autora de Americanah e Meio sol amarelo.”A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente.”Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente da primeira vez em que a chamaram de feminista. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. “Não era um elogio. Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: ‘Você apoia o terrorismo!’”. Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e — em resposta àqueles que lhe diziam que feministas são infelizes porque nunca se casaram, que são “anti-africanas”, que odeiam homens e maquiagem — começou a se intitular uma “feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens”.Neste ensaio agudo, sagaz e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para pensar o que ainda precisa ser feito de modo que as meninas não anulem mais sua personalidade para ser como esperam que sejam, e os meninos se sintam livres para crescer sem ter que se enquadrar nos estereótipos de masculinidade. Sejamos todos feministas é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDx Euston, que conta com mais de 1 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé.

(Tá na lista de prioridades do mês: ler Americanah, que também é dela!)

A lista de Renata Arruda:

No mês da mulher, leia mulheres: 55 obras imperdíveis de autoras incríveis

Boa leitura pra nós!

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