.motim.

Uma força contrária nos atinge a cabeça.
Muro no meio da nossa estrada.
No que fazemos juntos
ordenados curtos
longas horas de labuta.
Onde se encontra tempo pra ser
pra ver
pra enternecer?
Carteira, registro e ponto.
E o tempo passando bárbaro.
E uma parede se ergue no meio do nosso caminho.
A gente grita.
Pisa forte na avenida.
Levanta estandarte de palavras-guia.
Ninguém vê.
Somos seres abstratos.
Números em folhas brancas de papel.
Contra-cheques e holerites no painel.
Saldo de gastos com pausas de quinze minutos.
Invisíveis necessidades.
Esquecidas almas perdidas
De barrigas quase vazias
Nutridos de fé e migalhas.
Doando de si o máximo
de juventude, força, lucidez e sapiência.
E nos querem velhos franzinos.
Loucos varridos no fim da vida.
E por hoje, nos preferem serenos.
Serenamente calados.
Inaudíveis ao sistema.
Nos querem pacíficos.
Mansos cordeiros de deus.
Quem dera ouvíssemos o que o espírito em revolta berra.
Antes que seja tarde.
Antes que ganhem a guerra.
Sejamos todos:
Insubmissos ao que não se atenta.
Desobedientes ao que está doente.
Inquietos e rebeldes.
Urremos juntos com a força de cem mil feras.
Devolvamos, na mesma medida,
a truculência
o descaso
a rispidez.
Estejamos juntos para além da diária luta.
A vida é curta.
Derrubemos a muralha que se impõe.
Ou morre conosco o pouco que ainda dá sentido.
Que eles morram de medo de um povo destemido.
Banksy

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