.leia mulheres.

Ler mulheres também é um ato político. Não só porque assim damos voz a tantas que têm boas histórias a contar e talento, mas também porque ainda somos minorias nas listas de vestibulares e na tabelinha dos clássicos.

Admito que não é tarefa fácil. Meus escritores favoritos ainda são homens (fail!) – Galeano e Saramago, e devo isso não ao fato de que nenhuma mulher escreve tão bem quanto eles, mas à triste realidade de que só comecei a priorizar a leitura de escritoras há bem pouco tempo.

E é claro que eu já tinha lido Clarice Lispector e Cecília Meireles, mas demorei anos pra me aproximar de Marina Colasanti, Adélia Prado e Ana Cristina Cesar. E ainda hoje, no alto dos 34 anos, sinto que me falta muito pra conhecer nessa lista infinita de mulheres cronistas, contistas, romanciatas, poetisas… E quero! Quero muito que o número delas, pelo menos, se iguale ao número de escritores que li, aprecio e guardo na cabeceira e na memória.

Te convido a fazer o mesmo. E pra começar, indico abaixo 9 livros que me arrebataram.

Lance de Dardos – Iracema Macedo

Poesia da melhor qualidade dessa bradileira do Rio Grande do Norte que rasga a alma ao escrever.

Anarquistas Graças a Deus – Zélia Gattai

Uma espécie de biografia da infância da autora com um olhar atento para o Brasil do começo do século XX.

Parafusos – Mania, depressão, Michelangelo e eu – Ellen Farney

Um dos melhores quadrinhos que já li na vida. Fala de maneira biográfica com verdade sobre o tema da depressão e bipolaridade sem perder o humor e a seriedade.

Flores azuis – Catola Saavedra

Romance com um enredo bem amarrado e apaixonante sobre encontros e separações. Do tipo de livro que dá vontade de ir grifando frases.

As Miniaturas – Andrea del Fuego

Um livro onde realidade e sonho se misturam, em que as personagens são tão bem construídas que sentimos vontade de abraçá-las.

Jazz – Toni Morisson

Se você é meu amigo, me peça esse livro emprestado. O meu exemplar contêm anotações riquíssimas das aulas inesqurcíveis que tive na faculdade com a professora Cielo Festino.

O livro, de autora negra – vale dizer, fala de uma Nova York dos anos 20/30 e das injustiças sofridas por mulheres negras.

Meus desacontecimentos – Eliane Brum

Crônicas dessa mulher maravilhosa que tem o poder da palavra e que o usa tão bem. Apenas leiam! Qualquer sinopse não representa metade da delícia que é esse livro.

A Maçã no Escuro – Clarice Lispector

Um livro pouco conhecido da Clarice, e um dos que mais gostei de ler. Fala sobre a fuga de um homem e nossa capacidade de refletir sobre o que somos, o que fazemos e o que queremos. Bem ao estilo Clarice Lispector pensadora.

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