.dia do Índio – outro olhar.

Um amigo meu que é também professor escreveu: “Amanhã é dia de pintar o rosto e colocar pena na cabeça da criançada, pra homenagear quem sofre golpe desde 1500“. Ele que, diferente de mim, trabalha com turmas do Fundamental I, de 6 a 10 anos, conhece bem essa repetição anual que vem com o pacote completo de pena na cabeça, cara pintada, índio sem roupa e de arco e flecha na mão, música da Xuxa, algumas lendas e nenhuma discussão e desconstrução. Isso também se repete para aos alunos mais velhos ou simplesmente nada se fala sobre o Dia 19 de abril. Mas dá pra ser diferente.

Existe uma quantidade enorme de formas de abordar as questões indígenas em sala de aula. E, mais do que isso, existe conteúdo bastante bom pra todo mundo que mora fora das aldeias, mas sabe que precisa entender de questões que saem do âmbito do próprio umbigo.

As reflexões cabem a todos, o conhecimento cabe a todos e a desconstrução de um imaginário ultrapassado também.

Em sala de aula, a gente cria jeitos de tornar o assunto atrativo e propor discussões. Neste ano, como ponto de partida, usei fotos (aqui, aqui e aqui), dados do IBGE e reportagens recentes sobre a questão indígena. O ponto de partida para nossas conversas sobre tudo que olhamos foram 5 palavras: História, contexto, empatia, análise e questionamento.
Clique aqui para ver a primeira etapa do trabalho dos alunos

Eu, nas minhas aulas de Português e de Projeto (de Escrita e Fotografia), e a professora de Ciências, em suas aulas, nos organizamos para trazer informações novas aos alunos para garantir que essa semana não passasse em branco. Na próxima semana, juntas, vamos passar um vídeo (A luta dos povos esquecidos) para as turmas de 8° ano (nossos alunos mais velhos) para aprofundar a discussão. 

Sendo ou não professor, sendo ou não aluno, as indicações que se seguem se fazem necessárias para a formações de um olhar mais humano e, ao mesmo tempo, politizado sobre as questões indígenas:

Livro: Coisas de Índio (Daniel Munduruku)Resultado de imagem para Coisas de índio: versão infantil

O livro Coisas de Índio traz o olhar indígena para suas próprias vivências e as pluralidades existentes
nessas.
Daniel Munduruku é nascido em Belém, escritor e professor brasileiro, pertencente à etnia indígena mundurucu. É graduado em filosofia, história e psicologia. Tem mestrado em antropologia social pela USP. É doutor em educação também pela USP. É Diretor-Presidente do Instituto Uk´a – Casa dos Saberes Ancestrais.
Além desse, ele tem muitos outros livros sobre a questão indígena.
As Salas de Leitura das escolas e Bibliotecas da Prefeitura de São Paulo têm alguns títulos, além do Coisas de Índio: Kaba DarebuHistorias de ÍndioCrônicas de São PauloHistórias que Eu Vivi e Gosto de Contar, e outros.

.chorar pitangas. 

Pitangueira deu frutos. Forrou o chão de vermelho alaranjado. Ficou bonito, coloridinho e diferente. Combinou com o dia claro. E imagino: mais combinará com o fim de tarde. O pôr-do-sol avermelhando o céu, como a fruta fez com o chão. Bonito de ver a aproximação das nuances. E o fruto em harmonia com todo o resto. Um recorte sobre a finitude das coisas. Da vida… 

E por isso – pelas boas efemeridades do dia – chorarei pitangas. Apenas pitangas. Uma pitanga para cada lágrima guardada. E estarei salva.

♥️

Arquivo: abril/2011

.todas as vozes.

Não vão nos calar. Nem uma a menos. Eu não vim da sua costela, você que veio do meu útero. Meu senso crítico não é TPM. A mídia é machista. A cada 90 minutos, uma mulher é morta no Brasil. O machismo mata, o feminismo liberta. Meu corpo, minhas regras. Legaliza o aborto. Eu paro pela vida das mulheres. Não me mate se eu não te quiser mais. Essa dor é sua. Quem ama não mata, não humilha e nem maltrata. Nossas vidas importam. Tire seu machismo do caminho. Pelo fim da violência obstétrica. Respeite minha existência ou espere resistência. Não é não! Parem de nos matar. Existo porque resisto. Nem recatada e nem do lar, a mulherada ta na rua pra lutar. Violência contra a mulher também é problema social. Respeita as mães, porra! Todas juntas. Das ruas não sairemos. Nenhum direito a menos. Fora Temer. O feminismo nunca matou ninguém, o machismo mata todo dia. O feminismo é anticapitalista. Feminismo é a ideia radical de que as mulher são gente. Ensinem os homens a respeitar, e não as mulheres a temer. Meu útero é laico, e é meu. Sóbria ou chapada, vestida ou pelada, toda mulher merece ser respeitada. Não somos rivais. Companheira me ajude, eu não posso andar só. Eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor. Lugar de mulher é onde ela quiser. Deixa as minas falarem. Menos flores, mais direitos. Por todas aquelas: presas, ameaçadas e amedrontadas. Lutar sem temer. A nossa luta é todo dia, o nosso corpo não é mercadoria. Se nossas vidas não importam, produzam sem nós.  Se cuida, seu machista, a América Latina vai ser toda feminista. Vulva a revolução!

Fotografia de Beatriz Rogatto
Na foto: a linda Jéssica Franco

(Dia 8 de março de 2017 nos encontramos nas ruas. Foi lindo!
Mas juntas estamos todos os dias na mesma labuta.
Não me esquecerei da força que temos. Obrigada!)

Resultado de imagem para spotify

Música pra embalar todos os nossos 365 dias da mulher.

Indico também as fotos de Marina Sampaio: http://www.mamsampaio.com/projects/6391844

.papo, diálogo, conversa – 15 filmes.

Nada substitui uma boa conversa. Nada mesmo: nem uma noite de solidão, nem anos de de terapia, nem longas DRs por mensagens de texto. Coração aberto, olho no olho e palavras soltas ainda são o melhor jeito pra saber sobre o outro, para ouvir o que outro tem a dizer, para acertar ponteiros, para se apaixonar, para pedir perdão e para perdoar (inclusive a si mesmo), para transformar as coisas, para fazer sorrir, para encontrar saídas.  Até quando é sem pretensões, até quando é leve, o diálogo tem valor porque sempre abre alguma portinha importante dentro da gente, que a gente pode escolher atravessar ou não.

Alguns filmes bem bacanas são praticamente inteiros baseados na conversa de duas pessoas. Cabe aqui a lista que tento terminar há meses… mas que adoraria ver aumentar.

Trilogia: Before Sunrise (Antes do Amanhecer), 1995
Before Sunset (Antes do Pôr-do-Sol), 2004
Before Midnight (Antes da Meia-Boite), 2013

DiretorRichard Linklater
País: EUA
Atores e personagens: Jesse (Ethal Hawke) e Celine (Julie Delpy)
Algo sobre o filme: Aos filmes mantêm os mesmos atores e a passagem natural (real) do tempo.

Seeking a Friend for the End of the World
(Procura-se um amigo para o fim do mundo), 2012

DiretorLorene Scafaria
País: EUA
Atores e personagens: Dodge (Steve Carell) e Penny (Keira Knightley)
Algo sobre o filme: Se você soubesse que o mundo vai acabar amanhã, quem você escolheria para passar seus últimos momentos?

.carnaval.

Militão dos Santos – Carnaval de Olinda

A gente também precisa de festa. De luta e de festa. De trampo e de festa. E ócio. A gente precisa de som, balanço e cor. Todo dia é dia de ser feliz. Mas a gente precisa extrapolar pra aprender como é que se faz. A gente precisa de diversão, de folia, de fantasia. Ser grande e sem medida. A vida precisa de farra. Caçar motivo, inventar razão. Tamborim e cuíca – precisa. Também tem que ter brincadeira. Pra rir da graça do outro. Pra abraçar o riso que não é nosso. E olhar com olhos sinceros gente que a gente nunca viu. A gente precisa de gente que ocupe as ruas e cante canções. Precisa pular embaixo de sol, se vestir de outros e aproveitar os motivos pra brindar. Liberdade pra ser espalhafatoso e cômico. É festa da carne, dizem. Mas não só. A alma também festeja. E o coração bate acelerado como quem toca o batuque. E combina com o Verão. E segue o bloco. Enfeita a vida da gente. Que também é feita de ócio, e de trampo, e de luta. Porque a vida é curta. Mas não precisa ser pequena.

Playlist de Carnaval <3
Resultado de imagem para spotify

Botemos nosso bloco na rua.