As vezes é preciso gritar. Externar dor, revolta e medo. Desenhar muros. Rabiscar palavras de ordem em viadutos da cidade grande. Batucar nos botecos de esquina. Vale cada cantiga, cada samba de roda, cada chorinho desafinado. É preciso gargalhar alto nas mesas de bar. Dar vazão à alegria, tentar vencer a custo do riso, toda tristeza que há. As vezes dançar, declamar poesia, encenar. Criar versos e ritmos que façam palpáveis qualquer sensação latejante. Simular no palco outras vidas, outras almas, outros sentimentos, Pra dar voz a quem silencia. Pra fazer ouvir o que o coração berra forte. Dar forma a toda matéria prima que há, e colocar nelas, mensagens secretas que só os atentos podem ler. Tocar acordes serenos, deixar que se movimentem teclas, cordas e metais. Há palavras que não podem ficar guardadas, por excesso de beleza ou intensidade de rancor. É preciso dar contorno ao que não tem. Verbalizar. Pode rinha de rap. Pode sarau de poesia. A expressão é arma poderosa. Não se deve domar por academias. Com fúria e furor, deixar fluir pinceladas. Deixar ruir os muros que aprisionam. Reconstruir com intenção. Tem mais força o que é dito do que o que se cala. É preciso apropriar-se do que é nosso: cada sensação é valiosa, cada olhar para o entorno é inestimável. Não há o que temer quando é de verdade o que se conta. Não há métrica ou regra que deva intimidar. Toda ideia nova precisa se fazer ouvir. Pra cada ser que se expressa com honestidade nasce um outro com disposição para somar. Uma palavra dita em voz alta tem a força de mil que não se fizeram ouvir.

.13 ilustradoras pra encher o dia de cor e beleza.

Por causa da lojinha, da sala de aula e dos livros infantis, eu tenho gostado ainda mais de conhecer referências de arte e ilustração. E não canso de me impressionar com as descobertas que faço via Pinterest e Zupi. Por isso, resolvi deixar uma lista aqui de 13 artistas mulheres que enchem nossos olhos e nossa vida de cor e beleza.

 

Marina Papi (Brasmarina papiil)

Sua bio: “Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel, num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu…”. A canção Aquarela, escrita por Toquinho, é perfeita para contar a história da designer carioca Marina Papi. Com arte no sangue, um dom presente na família de artistas plásticos e poetas, ela pinta como se ainda estivesse brincando na infância, com seus primos e irmã. Tamanha paixão a levou a cursar a faculdade de Design Gráfico, da PUC-Rio, onde começou a experimentar novas ferramentas e técnicas em desenhos, pinturas e colagens. Sua fixação por pássaros e elementos da natureza, misturada às pinceladas da aquarela, faz com que suas criações exalem delicadeza. Atualmente, até mesmo as fotos que Marina faz da paisagem do Rio de Janeiro viram arte, mas antes as imagens passam por intervenções digitais e se misturam com as pinturas. Mesmo com apenas 25 anos, ela já pintou quartos de casas e apartamentos, criou papéis de parede para o Shopping Nova América, no Rio de Janeiro, e ilustrou o livro infantil “O leão filósofo, Serafim e outros bichos”, da Editora Zahar. Como não se encantar por algo tão doce e colorido.

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.O Menino e o Mundo e + 11 animações que todo adulto deveria ver.

A animação brasileira dirigida por Alê Abreu, O Menino e o Mundo, foi indicada ao Oscar. Pra quem ainda não viu: é um filme lindo, sensível e colorido, que deve ser visto por quem se propõe a ter um olhar para além dos limites do pensamento. É  um filme pra ver  e sentir. Penso eu que se não for assim talvez não faça sentido assisti-lo. Mas essa é, claro, apenas uma humilde opinião.

A animação narra as aventuras de um menino que vive em uma cidade isolada e que um dia se lança em uma missão para encontrar seu pai. Usando a fantasia e a inocência, o filme aborda temas como a globalização, a crise econômica e a perda de valores. No ano passado, a animação conquistou o Prêmio Cristal de longa-metragem no encerramento do 38º Festival do Filme de Animação de Annecy, na França.

Alê Abreu é também responsável pela animação “Garoto Cósmico”, que eu vi em um Anima Mundi, no Memorial da América Latina, há anos, e que me marcou pelos personagens lindos, que acho que vale a pena conhecer. Dito isso, estou bastante curiosa pra assistir outros vídeos dele: “Espantalho” (1998) e “Passo” (2007).

.o último livro que li: Mitologia Viva – Aprendendo com os deuses a arte de viver e amar (Viktor D. Salis)

Só havia um caminho proposto aos homens para a consecução de seu destino: encontrar os meios para cumprir o máximo juramento de Hades, quer era dedicar a vida à nobreza, à beleza e à bondade. Este era considerado o juramento a ele, sendo a condição para voltar a viver, e por isso era chamado de “vingado dos juramentos”. Isso simplesmente queria dizer que quem não dedicasse sua vida a encontrar meios para evoluir em direção ao nobre, bom e belo era traidor de Hades e seu destino. A liberdade individual residia em encontrar os meios para cumprir essa exigência, e isso era chamado destino”. (Quem eram os deuses do Olimpo? – p.83)

Recentemente, depois de trabalhar em sala de aula com meus alunos mitos e lendas, fiquei bastante curiosa para entender mais sobre a mitologia que tanto os interessava, a Grega. A verdade é que, em dado momento da minha infância/adolescência, também nutri um enorme interesse sobre as histórias mirabolantes de Zeus, Posseidon, Hera, Tróia, Hércules, Eros e Psiqué, Narciso e Hades. Eles e seus poderes, eles e sua capacidade de, apesar da imortalidade, serem incrivelmente falíveis e humanos.

Pra falar bem a sério: a árvore genealógica destes deuses e semi-deuses sempre me pareceu complexa de mais, e impossível de ser entendida por uma leiga como eu. Com o passar do tempo, o foco do interesse foi tomado por coisas mais práticas e mais próximas da minha realidade.

.espelho.

Nunca esteve tão a vontade com os seus desacertos externos. Ainda se debate com a incapacidade de mudar alguns traços da personalidade e algumas limitações do que é. Mas nunca, nunca mesmo, nestes tantos anos de vida, esteve tão a vontade com a largura do sorriso torto e o diâmetro das canelas. Ainda não consegue enxergar beleza em certos detalhes, no entanto não lhe incomoda a nudez. Há cachos, pelos, cicatrizes e ranhuras. De uns gosta mais, de outros menos, mas a todos reconhece como seus. Vê defeitos e aprecia assimetrias. É poético que um dia, não como num estalar de dedos, tenha passado por cima de tudo o que é imposição midiática e cultural para olhar-se como mulher real. Já não sente o menor constrangimento diante de si mesma. Poderíamos chamar isso de amor próprio, mas seria um equívoco. O nome disso é liberdade.

Da artista Flora Borsi. Projeto “The Real Life Models”. http://www.behance.net/yayuniversal