Se eu morresse amanhã, a vida teria valido a pena. Não houveram grandes feitos e revoluções. Eu também fui engolida pelas obrigações que o mundo impõe, gastei mais horas trabalhando do que gostaria e perdi um monte de tempo na internet. Não deu pra aprender tudo que quis e nem conhecer todos os cantos do mundo. Eu procrastinei, confesso, fiz alguns dramas desnecessários e sufoquei alguns arrependimentos. Mas se eu morresse amanhã, teria valido a pena. Por sorte e merecimento, sou cercada de amor. Tenho cá uma porção considerável de ideais bem estruturados. E deixaria como legado, algumas dezenas de bons livros, algumas longas cartas de amor e todos os sorrisos dos dias bons (em maior número nessa trajetória) em forma de fotografia ou lembrança. Seria uma pena se eu partisse amanhã. Ainda há muito o que sentir. Mas, por verdades e afetos, teria valido a pena.

.fado.

No horizonte, a gente enxerga céu, amanheceres, crepúsculos, possibilidades. É pra onde se deve caminhar. Passo depois de passo, alguns tropeços, corridas e tentativas de retorno. A gente sempre acaba indo em frente ou, no máximo, estagna, senta no chão e chora. Pra frente é que se anda, e ainda que o olhar esteja no que passou, não há como voltar atrás. O que nos espera é o porvir, à espera de ser escrito, desenhado, vivido. Por mais que se tracem rotas perfeitas, há miragens, abismos e bifurcações. É preciso estratégia, sim, mas principalmente flexibilidade. Um céu nunca é igual ao outro. Nem as fronteiras. Nem as histórias. E o que há de vir guarda imprecisão. O agora é construção, mas é também surpresa. Acaso ou destino, que seja. Nem tudo é obra de escolhas sensatas, milimetricamente pensadas. As vezes, o amanhã é calcado no imprevisto ou numa mudança súbita não planejada. É quando o horizonte, incerto, se esconde atrás de neblina. Os passos precisam ser mais curtos, firmados no chão, calmos, sem grandes expectativas. E a gente não aprende a esperar pra ver. Quer pra já e não mais tarde. De nada adianta querer. Dá medo não saber o que será. Mas medo é parte da travessia. E é no não saber que se guarda a beleza do reencontro da claridade e da imensidão. Certos encantos só se encontram no depois, feito a sorte de tropeçar em mais um botão pra coleção. É sem aviso. E vai chegar. Deixa vir.

Só o amor é luz.

 

.Sessão da Tarde/ Cinema em Casa. – 10 filmes de Aventura

A gente era feliz e não sabia…

Passar a tarde em casa assistindo os filmes mais legais (ou bizarros) nos canais de TV Aberta foi um formador de caráter definitivo para uma geração inteira. Todo mundo que viveu durante os anos 80, 90 e comecinho dos anos 2000, no Brasil, deve ter tido essa experiência. E quem não viveu, deveria ter a chance de conhecer cada um desses filmes!

O filmes se repetiam muito (é verdade!), alguns não eram para o público infantil (fato!), mas grande parte deles valorizavam a imaginação, a infância e a força da amizade. Pensando bem, deu pra aprender um monte de coisas legais com eles enquanto a gente passava o tempo.

Essa é só a primeira lista de muitas, e vai ser do meu gênero preferido até hoje: Aventura! E, pode acreditar, revê-los com nosso olhar adulto é bem divertido e nostalgicamente bom!

  • ET – O Extraterrestre (E.T. The Extra-Terrestrial)Resultado de imagem para et capa

    – 1982
    Direção: Steven Spielberg

Sinopse: Um garoto faz amizade com um ser de outro planeta, que ficou sozinho na Terra, protegendo-o de todas as formas para evitar que ele seja capturado e transformado em cobaia. Gradativamente, surge entre os dois uma forte amizade.

Dá pra ver a Drew Barrymore bem novinha! E um dos melhores filmes de todos os tempos, acho.

  • GremlinsResultado de imagem para gremlins filme

    – 1984
    Direção: Joe Dante

Sinopse: Rand Peltzer (Hoyt Axton) é um “inventor” que, ao tentar dar um presente natalino único para seu filho, Billy Peltzer (Zach Galligan), compra em Chinatown um Mogwai, um ser aparentemente gracioso. Mas o dono, um velho chinês, não queria vendê-lo por dinheiro nenhum, pois ter um Mogwai envolve muitas responsabilidades. Entretanto, o neto do ancião o vende por duzentos dólares e diz as regras essências para ter um Mogwai: nunca colocá-lo diante de uma luz forte e muito menos na luz solar, que pode matá-lo; nunca molhá-lo e, a regra principal, nunca o alimente após a meia-noite, mesmo que ele chore ou implore. Rand ouve o aviso sem dar a devida importância e leva o Mogwai para sua casa em Kingston Falls, uma pequena cidade. Paralelamente, Billy trabalha como caixa de banco e sofre com as exigências de Ruby Deagle (Polly Holiday), uma cliente igualmente rica e antipática. Além disto tem de aturar o pedante Gerald (Judge Reinhold), que quer usar sua posição para conquistar Kate Beringer (Phoebe Cates), a namorada de Billy. Quando Billy recebe o presente fica maravilhado, mas as regras não são respeitadas. Assim, quando é molhado o Mogwai se multiplica assustadoramente e, alimentados após a meia-noite, se tornam criaturas más, que aterrorizam a cidade.

Pode ser colocado também na lista dos bizarros! E foi produzido por Steven Spielberg!

.pé-de-meia.

A gente precisa mesmo. Tá dito. Roupa, canto, comida se paga com vintém. Fazer pé de meia pra uma velhice tranquila, a gente pensa. Quer poupança e investimento. E pro hoje, tanta coisa pra encher os espaços vazios da nossa vida. A gente quer ter, quer garantir. E precisa, diz-se. Prata, moeda, tostão. Um montante salvaguarda e proteção. No pé-de-meia cabe ouro, cabe nota, cabe tudo que sobra de cada pedaço do nosso tempo vendido. Pra uma vida feliz: dinheiro. Para uma existência mais amena: grana. Pro amanhã: economia e trabalho. A gente precisa. Pro dia a dia: trocado. Pras exceções e apertos: bufunfa. Salário suado, a gente aprende a dar valor. Tutu e cobre. A gente torce pra que sobre algum. A gente sabe que precisa guardar. Cuidar bem do que é nosso. Patrimônio, bens, capital. E, enquanto a gente pensa que precisa mesmo, que precisa muito, que precisa mais, precificam tudo ao nosso redor. Pra facilitar um pensamento que já indica que conta bancária é tudo e que tudo se pode comprar. Pagando bem que mal tem? Até água, até terra pra morar, até comida que preste. Até companhia, até sexo, até liberdade. Até certezas, até verdades, até conexões. A gente pensa que precisa. A gente pensa que pode comprar. E confunde o que é vontade com necessidade. Se vender é o que não vale. A gente precisa, tá dito. Certa quantia, alguma importância. Mas não tanto, nem pra tudo. Pé-de-meia também se faz de amor, família e descanso. O que não se compra vale mais. Fortuna em forma de afeto, riqueza que cabe em tardes tranquilas de domingo cercadas de gente preciosa. Tesouro, de fato.


E tem playlist:

.só pra saber.

Tem notícia ruim pra todo gosto e desgosto. Que a gente consome, em que a gente se engasga, onde a gente se afoga. Hábito. Vício. Droga. Todo dia. Todo tempo. Notícia falsa,  notícia velha, desinformação. Que não explicam nada, que não ajudam ninguém. Crueldade em forma de fato, atrocidade com cara de relato. É tóxico. Entorpecem e envenenam. Até que nos acostumemos ao nojo que dá, à raiva que dá, ao medo que dá. Até que cada comunicado feito em rede nacional só sirva mesmo pra dolorir. Soterrando de sujeira e lágrima toda a frágil esperança e energia. De todo horror tem de nascer um movimento, ou calejamos a alma e a vontade. Sendo passivos ao invés de pacíficos. Pra cada mal, nutrirmo-nos de beleza e poesia. Verdade e afeto. Ideia e sentido. Antídotos necessários para que as manchetes não devorem nossa capacidade de mudar o mundo e nossa força pra lutar.

Que eu me organizando posso desorganizar
Que eu desorganizando posso me organizar…
– Chico Science e Nação Zumbi