.meninas feministas.

Dia 8 de março foi o Dia da Mulher, mas todo dia é dia de a gente pensar sobre o que é possível fazer para minimizar os danos da nossa sociedade machista e começar a construir uma sociedade com mais igualdade.

Nesse post, quero dividir 3 livros incríveis para pais, professores, crianças e adolescentes. Os três são escritos e/ou organizados e ilustrados por mulheres, o que já é maravilhoso por si só.

O primeiro livro é da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, e chama-se Para educar crianças feministas.

Escrito em forma de correspondência, sua leitura é leve e rápida, mas promove uma série de boas reflexões sobre nossas ações do cotidiano. Fala do exemplo, de autoestima e de criticidade. Deveria ser leitura obrigatória para toda professora e mãe de meninas.

O segundo livro é da paulistana Pri Ferrari, e nasceu do apoio de outras pessoas através de uma canpanha de financiamento coletivo. Acho válido ressaltar isso, pois demonstra que tem muita gente legal apoiando essa ideia.

Seu nome é Coisa de Menina. E desconstroi com muita delicadeza e beleza a ideia de que meninas nasceram para ser apenas princesas, mães e bailarinas. Toda menina deveria saber, desde sempre, que ela pode ser o que quiser.

E o terceiro livro chama-se 50 Brasileiras Incríveis para conhecer antes de crescer. Ele é organizado pela Débora Thomé, mas contou com a contribuição de muitas outras mulheres ilustradoras, designers e pesquisadoras.

É um livro lindo, completo e cheio de conteúdo. Eu mesma não conhecia algumas das personagens que ocupam as páginas…

Entre as coisas bacanas, o livro tem um espaço para que o leitor escreva sobre outras mulheres da sua vida. Achei fantástico. Afinal, quem é que não tem uma heroína da vida real para chamar de sua, não é mesmo?!

.leia mulheres.

Ler mulheres também é um ato político. Não só porque assim damos voz a tantas que têm boas histórias a contar e talento, mas também porque ainda somos minorias nas listas de vestibulares e na tabelinha dos clássicos.

Admito que não é tarefa fácil. Meus escritores favoritos ainda são homens (fail!) – Galeano e Saramago, e devo isso não ao fato de que nenhuma mulher escreve tão bem quanto eles, mas à triste realidade de que só comecei a priorizar a leitura de escritoras há bem pouco tempo.

E é claro que eu já tinha lido Clarice Lispector e Cecília Meireles, mas demorei anos pra me aproximar de Marina Colasanti, Adélia Prado e Ana Cristina Cesar. E ainda hoje, no alto dos 34 anos, sinto que me falta muito pra conhecer nessa lista infinita de mulheres cronistas, contistas, romanciatas, poetisas… E quero! Quero muito que o número delas, pelo menos, se iguale ao número de escritores que li, aprecio e guardo na cabeceira e na memória.

Te convido a fazer o mesmo. E pra começar, indico abaixo 9 livros que me arrebataram.

Lance de Dardos – Iracema Macedo

Poesia da melhor qualidade dessa bradileira do Rio Grande do Norte que rasga a alma ao escrever.

Anarquistas Graças a Deus – Zélia Gattai

Uma espécie de biografia da infância da autora com um olhar atento para o Brasil do começo do século XX.

Parafusos – Mania, depressão, Michelangelo e eu – Ellen Farney

Um dos melhores quadrinhos que já li na vida. Fala de maneira biográfica com verdade sobre o tema da depressão e bipolaridade sem perder o humor e a seriedade.

Flores azuis – Catola Saavedra

Romance com um enredo bem amarrado e apaixonante sobre encontros e separações. Do tipo de livro que dá vontade de ir grifando frases.

As Miniaturas – Andrea del Fuego

Um livro onde realidade e sonho se misturam, em que as personagens são tão bem construídas que sentimos vontade de abraçá-las.

Jazz – Toni Morisson

Se você é meu amigo, me peça esse livro emprestado. O meu exemplar contêm anotações riquíssimas das aulas inesqurcíveis que tive na faculdade com a professora Cielo Festino.

O livro, de autora negra – vale dizer, fala de uma Nova York dos anos 20/30 e das injustiças sofridas por mulheres negras.

Meus desacontecimentos – Eliane Brum

Crônicas dessa mulher maravilhosa que tem o poder da palavra e que o usa tão bem. Apenas leiam! Qualquer sinopse não representa metade da delícia que é esse livro.

A Maçã no Escuro – Clarice Lispector

Um livro pouco conhecido da Clarice, e um dos que mais gostei de ler. Fala sobre a fuga de um homem e nossa capacidade de refletir sobre o que somos, o que fazemos e o que queremos. Bem ao estilo Clarice Lispector pensadora.

.SAMPAPREV e o retrocesso.

Neste exato momento está rolando um embate entre funcionários públicos – especialmente professores – e a gestão municipal que quer votar uma reforma da previdência na cidade.

Além de estabelecer um piso salarial para a aposentadoria, existe o objetivo de aumentar a porcentagem de contribuição e a quantidade de tempo trabalhado.

Você, que não é funcionário público deve estar se perguntando: e daí?

E eu só queria pontuar algumas coisinhas:

Não posso falar por outros servidores, de outras áreas, mas como professora eu posso sim.

Uma das coisas mais tristes dessa tentativa de reforma é que tem acontecido um levante contra os serviços públicos e seus trabalhadores. Diz-se que temos regalias… e eu só posso imaginar que estão nos confundindo com outras pessoas – as que ganham montantes de 5 dígitos e auxílios diversos que cobrem facilmente o meu salário.

Há anos acontecem greves de professores para tentar melhorar nossas condições de trabalho – não só financeira. Diminuição de alunos por turma e políticas que nos ajudem a trabalhar e não nos atrapalhem.

Quem quer que um professor trabalhe mais tempo não faz ideia do que é enfrentar a galerinha que vem da rua pra escola sem nenhuma vontade de aprender e com a energia de 30 leões para gastar. Não sabe também o que é, muitas vezes, tirar do próprio bolso uma grana para fazer rolar um projeto ou uma aula diferente. Também não leva em consideração todas as horas que gastamos fora da escola preparando aulas, corrigindo atividades e preenchendo burocracia.

Ah! Mas os serviços públicos são lentos e ruins – vc vai me dizer. Pois é, tem coisa ruim mesmo, e por isso que a gente precisa aprender a fazer política e cobrar para além das urnas.

Mas ó: tem muita coisa boa também! Tem gente muito legal trabalhando para ensinar a ler o menino que joga lixo no chão e dá pontapés no coleguinha, tem muita gente legal trocando fralda de bebê pra mãe poder trabalhar, tem muita gente legal fazendo a engrenagem rodar pra população não ficar desassistida na educação, na saúde e tanto mais.

Antes de ficar contra os servidores, tenta lembrar que a valorização que o professor quer (e precisa) não pode ser da boca pra fora, e nem precisa ser apenas financeira. Essa valorização necessária vem do apoio que precisamos, inclusive em momentos que querem tirar nossos direitos, do reconhecimento do nosso trabalho árduo e afetuoso, e até da cobrança para que tenhamos suporte e pique para fazer um trabalho cada vez melhor.

Em todo lugar que vou, em todo “táxi” que pego e em toda conversa informal que tenho, as pessoas repetem que a educação é importante, que ser professor é uma profissão dura, pouco valorizada e fundamental. Todo mundo repete essas verdades, mas ninguém pensa sobre elas. Nós, professores e toda comunidade escolar, não precisamos só de tapinha nas costas ou elogios para inflar o ego.

Uma sala de aula é insalubre, meus caros. Não se enganem! Eu amo mesmo o que faço, mas uma sala de aula (ou 5 ou 10 ou 25) requer mais do que amor.

E só mais uma coisa: não pensem vocês que esse ataque aos direitos será exclusivo para os servidores municipais. Esse ataque vem a galope e vai atingir a todos os trabalhadores. Já tem atingido, inclusive, com essa reforma trabalhista pensada para empresários. Se não estivermos juntos e não lutarmos uns pelos outros, quando olharmos ao redor não teremos mais nada!

.10 cenas de filmes.

Eu realmente acho que a escolha dos filmes da nossa vida dão um panorama bem verdadeiro de quem a gente é.

Uma amiga fez um desafio de postar 10 cenas de filmes sem dizer nada sobre elas. Resolvi postar aqui pra me servir de referência caso eu precise saber quem eu era em novembro de 2018.

Ps. Por algum motivo me perdi nas contas e postei 11 cenas. Ato falho ou necessidade?

A lista:

.ao redor.

Quando eu descobri ser adotada, eu olhei um pouco pro passado. Imaginei os cacos de uma outra mulher, assim como eu. Com suas próprias dores, com suas próprias escolhas, e medos, e coragem.

Quando eu descobri ser adotada, eu pensei em minha mãe. No zelo destes 34 anos, e nos detalhes de um amor que me ensinou a pintar as unhas, a fazer comida e a gostar de mim.

Quando eu descobri ser adotada, eu amei ainda mais meu pai. Porque encontrei nele uma grandeza que eu não conhecia.

Quando eu descobri ser adotada, eu lembrei dos meus tios que sempre sorriram pra mim, e que agora carrego no peito as marcas que me deixaram. O afeto. O afeto.

Quando eu descobri ser adotada, eu olhei pra minha avó, e não achei nada que não se encaixasse na nossa história. Ela também soube ser minha, e me deixou ser dela.

Quando eu descobri ser adotada, eu desejei ter aprendido a chamar meu padrasto de pai.

Quando eu descobri ser adotada, eu parei em frente ao espelho por longos minutos. E tive medo por não saber com quem pareço, de onde são meus traços, como vou envelhecer e e quais armadilhas a genética pode reservar pra mim.

Quando eu descobri ser adotada, gastei horas tentando entender porque meus amigos estavam tão preocupados comigo. Eu me sabia amada, e isso sempre me bastou.

Quando eu descobri ser adotada, eu abracei forte meu filho, para dizer a ele que eu escolhi ser sua mãe. Eu quis. Não foi obra do acaso. Eu quis. De coração aberto e cheio de amor, como minha mãe fez.

Quando eu descobri ser adotada, eu percebi que as pessoas não sabiam como agir comigo, e as vezes eram insensíveis querendo saber de coisas que podiam dolorir. Por trás de uma adoção, existe sim uma história triste, e é preciso perguntar com cautela, ou simplesmente não perguntar. A curiosidade alheia me feriu as vezes.

Quando eu descobri ser adotada, eu odiei a expressão “mãe de criação”. Toda mãe é de criação.

Quando eu descobri ser adotada, eu tive vontade de viver minha vida inteira de novo, porque ela tem sido boa desde o dia que me lembro, e eu repetiria tudo para chegar aqui novamente.

Quando eu descobri ser adotada, eu chorei, eu fiz piada, eu escrevi, eu conversei, eu me permiti sentir tudo que vinha e ía no meu coração.

Quando eu descobri ser adotada, eu tentei me colocar no lugar das outras personagens da história, com empatia, com amor.

Quando eu descobri ser adotada, eu olhei minha certidão de nascimento e quis saber se a data estava certa, e o que tinha de verdade ou mentira ali. Eu confesso que eu só queria ter certeza de ser leonina.

Quando eu descobri ser adotada, eu quis contar pra todos que amo. Eu quis escrever uma história, e uma carta de amor.

Quando eu descobri ser adotada, eu amei ainda mais minhas primas. E entre elas, ganhei uma irmã.

Quando eu descobri ser adotada, eu me senti mais plena, mais forte, e com mais vontade de ser feliz.

Quando eu descobri ser adotada, eu me senti sortuda. E fiquei grata. Porque essa vida só me cercou de amor, e eu não tenho do que reclamar.

Quando eu descobri ser adotada, tudo mudou e, ao mesmo tempo, não mudou nada.