.SAMPAPREV e o retrocesso.

Neste exato momento está rolando um embate entre funcionários públicos – especialmente professores – e a gestão municipal que quer votar uma reforma da previdência na cidade.

Além de estabelecer um piso salarial para a aposentadoria, existe o objetivo de aumentar a porcentagem de contribuição e a quantidade de tempo trabalhado.

Você, que não é funcionário público deve estar se perguntando: e daí?

E eu só queria pontuar algumas coisinhas:

Não posso falar por outros servidores, de outras áreas, mas como professora eu posso sim.

Uma das coisas mais tristes dessa tentativa de reforma é que tem acontecido um levante contra os serviços públicos e seus trabalhadores. Diz-se que temos regalias… e eu só posso imaginar que estão nos confundindo com outras pessoas – as que ganham montantes de 5 dígitos e auxílios diversos que cobrem facilmente o meu salário.

Há anos acontecem greves de professores para tentar melhorar nossas condições de trabalho – não só financeira. Diminuição de alunos por turma e políticas que nos ajudem a trabalhar e não nos atrapalhem.

Quem quer que um professor trabalhe mais tempo não faz ideia do que é enfrentar a galerinha que vem da rua pra escola sem nenhuma vontade de aprender e com a energia de 30 leões para gastar. Não sabe também o que é, muitas vezes, tirar do próprio bolso uma grana para fazer rolar um projeto ou uma aula diferente. Também não leva em consideração todas as horas que gastamos fora da escola preparando aulas, corrigindo atividades e preenchendo burocracia.

Ah! Mas os serviços públicos são lentos e ruins – vc vai me dizer. Pois é, tem coisa ruim mesmo, e por isso que a gente precisa aprender a fazer política e cobrar para além das urnas.

Mas ó: tem muita coisa boa também! Tem gente muito legal trabalhando para ensinar a ler o menino que joga lixo no chão e dá pontapés no coleguinha, tem muita gente legal trocando fralda de bebê pra mãe poder trabalhar, tem muita gente legal fazendo a engrenagem rodar pra população não ficar desassistida na educação, na saúde e tanto mais.

Antes de ficar contra os servidores, tenta lembrar que a valorização que o professor quer (e precisa) não pode ser da boca pra fora, e nem precisa ser apenas financeira. Essa valorização necessária vem do apoio que precisamos, inclusive em momentos que querem tirar nossos direitos, do reconhecimento do nosso trabalho árduo e afetuoso, e até da cobrança para que tenhamos suporte e pique para fazer um trabalho cada vez melhor.

Em todo lugar que vou, em todo “táxi” que pego e em toda conversa informal que tenho, as pessoas repetem que a educação é importante, que ser professor é uma profissão dura, pouco valorizada e fundamental. Todo mundo repete essas verdades, mas ninguém pensa sobre elas. Nós, professores e toda comunidade escolar, não precisamos só de tapinha nas costas ou elogios para inflar o ego.

Uma sala de aula é insalubre, meus caros. Não se enganem! Eu amo mesmo o que faço, mas uma sala de aula (ou 5 ou 10 ou 25) requer mais do que amor.

E só mais uma coisa: não pensem vocês que esse ataque aos direitos será exclusivo para os servidores municipais. Esse ataque vem a galope e vai atingir a todos os trabalhadores. Já tem atingido, inclusive, com essa reforma trabalhista pensada para empresários. Se não estivermos juntos e não lutarmos uns pelos outros, quando olharmos ao redor não teremos mais nada!

.10 cenas de filmes.

Eu realmente acho que a escolha dos filmes da nossa vida dão um panorama bem verdadeiro de quem a gente é.

Uma amiga fez um desafio de postar 10 cenas de filmes sem dizer nada sobre elas. Resolvi postar aqui pra me servir de referência caso eu precise saber quem eu era em novembro de 2018.

Ps. Por algum motivo me perdi nas contas e postei 11 cenas. Ato falho ou necessidade?

A lista:

.ao redor.

Quando eu descobri ser adotada, eu olhei um pouco pro passado. Imaginei os cacos de uma outra mulher, assim como eu. Com suas próprias dores, com suas próprias escolhas, e medos, e coragem.

Quando eu descobri ser adotada, eu pensei em minha mãe. No zelo destes 34 anos, e nos detalhes de um amor que me ensinou a pintar as unhas, a fazer comida e a gostar de mim.

Quando eu descobri ser adotada, eu amei ainda mais meu pai. Porque encontrei nele uma grandeza que eu não conhecia.

Quando eu descobri ser adotada, eu lembrei dos meus tios que sempre sorriram pra mim, e que agora carrego no peito as marcas que me deixaram. O afeto. O afeto.

Quando eu descobri ser adotada, eu olhei pra minha avó, e não achei nada que não se encaixasse na nossa história. Ela também soube ser minha, e me deixou ser dela.

Quando eu descobri ser adotada, eu desejei ter aprendido a chamar meu padrasto de pai.

Quando eu descobri ser adotada, eu parei em frente ao espelho por longos minutos. E tive medo por não saber com quem pareço, de onde são meus traços, como vou envelhecer e e quais armadilhas a genética pode reservar pra mim.

Quando eu descobri ser adotada, gastei horas tentando entender porque meus amigos estavam tão preocupados comigo. Eu me sabia amada, e isso sempre me bastou.

Quando eu descobri ser adotada, eu abracei forte meu filho, para dizer a ele que eu escolhi ser sua mãe. Eu quis. Não foi obra do acaso. Eu quis. De coração aberto e cheio de amor, como minha mãe fez.

Quando eu descobri ser adotada, eu percebi que as pessoas não sabiam como agir comigo, e as vezes eram insensíveis querendo saber de coisas que podiam dolorir. Por trás de uma adoção, existe sim uma história triste, e é preciso perguntar com cautela, ou simplesmente não perguntar. A curiosidade alheia me feriu as vezes.

Quando eu descobri ser adotada, eu odiei a expressão “mãe de criação”. Toda mãe é de criação.

Quando eu descobri ser adotada, eu tive vontade de viver minha vida inteira de novo, porque ela tem sido boa desde o dia que me lembro, e eu repetiria tudo para chegar aqui novamente.

Quando eu descobri ser adotada, eu chorei, eu fiz piada, eu escrevi, eu conversei, eu me permiti sentir tudo que vinha e ía no meu coração.

Quando eu descobri ser adotada, eu tentei me colocar no lugar das outras personagens da história, com empatia, com amor.

Quando eu descobri ser adotada, eu olhei minha certidão de nascimento e quis saber se a data estava certa, e o que tinha de verdade ou mentira ali. Eu confesso que eu só queria ter certeza de ser leonina.

Quando eu descobri ser adotada, eu quis contar pra todos que amo. Eu quis escrever uma história, e uma carta de amor.

Quando eu descobri ser adotada, eu amei ainda mais minhas primas. E entre elas, ganhei uma irmã.

Quando eu descobri ser adotada, eu me senti mais plena, mais forte, e com mais vontade de ser feliz.

Quando eu descobri ser adotada, eu me senti sortuda. E fiquei grata. Porque essa vida só me cercou de amor, e eu não tenho do que reclamar.

Quando eu descobri ser adotada, tudo mudou e, ao mesmo tempo, não mudou nada.

.luta.

Filho.

Os últimos dias foram doloridos. Foram semanas duras, com muito ódio preenchendo os espaços, com muita mentira tomando lugar de verdade. Grosseria, piada sem graça, truculência. Muito grito, muita palavra vazia, muita notícia ruim. Não foi fácil desviar dos dardos. Alguns nos acertaram, mas só superficialmente. Somos resistentes.

Queria te explicar que não perdemos. Eleições são ainda manifestação democrática. Nossa luta no front apenas se estendeu por um pouco mais de tempo (talvez muito), e para além das urnas e do voto.

Entre os representados agora, existem pessoas ruins e algumas que não perceberam para onde esse caminho nos leva. Por isso, cuidado.

Mas do nosso lado, quanto orgulho. Além de toda essa gente distante que admiramos, os nossos amigos são muito bons. Com eles, nós discutimos (e aprendemos) sobre contextualização, História e até Economia. Ganhamos horas de conversa produtiva sobre igualdade, respeito, educação e empatia. Trocamos experiências, informações, boas ideias e notícias inspiradoras. Eles são leves, eles são do bem. Estamos cercados de afeto, meu filho.

Quando fomos à rua, encontramos muitos como nós. Ganhamos novos companheiros de batalha, de quem também podemos nos orgulhar. Foram dias de sorriso para além do receio pelo que poderia vir.

A última semana, em especial, foi até poética. As pessoas se olhando nos olhos e dispostas a conversar. Oferecendo tempo, argumento, bolo. Disso, entre outras coisas, nunca podemos nos esquecer: o valor de olhar pro outro de peito aberto.

Saímos da internet. Mas nela, compartilhamos um monte de informação consistente e imagens bonitas. Manu e Haddad foram enormes, e continuam a ser nossa escolha. Ela também é mãe, e ele é professor.

Nessa trajetória, conhecemos, inclusive, outras mães incríveis. E nos reconhecemos em outros professores quem fazem mais do que só ensinar o beabá. Foi inspirador!

Aprenda, desde já, que é sempre importante enxergar o que há de bom em cada situação.

Apesar de tudo, eu quero te dizer: as palavras são importantes. Use-as com cautela, use-as para o bem, use-as! As palavras tem muita força! E as vezes, a gente precisa falar alto, em bom tom, com força.

Você, filho, é impulso. Uma das razões de a gente não desistir e nem se deixar abater. Futuro é algo que se constrói no presente. E dá trabalho.

E ó, não se esqueça: a gente ta abatido. No entanto, ainda não existe nada mais valioso do que quem caminha conosco. E os nossos companheiros são jóias de primeira grandeza.

Eu quero que você aprenda mais pelo exemplo do que pelas palavras. Mire-se nos bons. Enquanto eu existir, te rodearei de gente assim. Prometo!

Eu não tenho dúvida que você me entende. Juntos, somos mais fortes. O amor é melhor que o ódio. Mas é preciso coragem. Resistimos. Sendo suporte uns pros outros. Apoio e abraço.

Mesmo quando é difícil seguir, precisamos.

Vamos juntos.

Com amor,

Mãe

Vou só listar uma coisinha aqui:

Homem que reclama de pagar ou que não paga pensão pra filho;

Homem que chama ex-mulher (ou ex-namorada) de louca;

Homem que agride o coleguinha chamando-o de viado ou bicha;

Homen que mexe com mulher na rua sem o menor constrangimento;

Gente que é contra as cotas raciais e que não acham que existe uma dívida não paga por conta da escravidão no Brasil;

Gente que prefere ter um filho bandido do que um filho gay;

Gente que diz que toda feminista não depila;

Homem que usa termos como “porca”, “horrorosa”, “puta”, etc etc, para classificar as mulheres que não votarão em seu ilustríssimo candidato;

Pessoas que negam os horrores da ditadura ou os justificam;

Pessoas que acham que são mais merecedores e mais trabalhadores que outros brasileiros e que, por isso, podem construir em área de reserva, pagar mal seus dois ou três funcionários;

Gente que xingou a ex-presidenta Dilma de vaca e/ou colou aquele adesivo horrendo em seu carro na época do aumento da gasolina;

Homem que usa as redes sociais para disseminar ódio em páginas e à pessoas que, antecipadamente, já sabe que não refletem sua ideias;

Homem que diz “deve ter feito algo para apanhar (ou morrer)”;

Pais machões que morrem de ciúmes das suas princesas, mas que compartilham vídeos pornôs no whats app protagonizados por novinhas ou que falam coisas como “essa aí já aguenta”;

Gente que defende os valores da família, mas que falam mal da sogra, da cunhada e do tio;

“Bons cristãos” que só amam os irmãos de sua comunidade e que ao sair da Igreja desejam a morte a todos que pensam ou agem diferente do que sua religião prega;

Homem que trai a esposa (e vice-versa), mas que finge ser exemplar;

Gente que não lê uma reportagem inteira há anos, mas que se faz de informado só porque coleciona menes de Facebook;

Gente estudada que usa palavras difíceis para confundir quem tem menos escolaridade;

Quem quer a diminuição da maioridade penal, mas que defende filho adulto que dirige bêbado e que briga na balada;

Gente que fala que os Direitos Humanos são invenção da esquerda;

Gente que aprecia e prega a violência nua e crua contra quem acha que merece, do menino da favela que assaltou alguém na rua ao ex-presidente que roubou;

Gente que acha que o PT inventou a corrupção, mas que faz esquemas para ter vantagem na compra de carro, no recebimento de seguros etc etc;

Homem branco que acha que a população negra e indígena é preguiçosa;

Gente que nem sabe o que é demarcação de terras, e mesmo assim dá opinião sobre o assunto;

Gente que parou no meio da lista porque se sentiu contemplado.

Tchau! Já vai tarde…

#elenão #elenunca